A CONSCIÊNCIA COMO BASE PARA A QUALIDADE DE VIDA

A CONSCIÊNCIA COMO BASE PARA A QUALIDADE DE VIDA

 

Se existe um fator primordial que garante a qualidade de vida, esse só pode ser a consciência, uma vez que é ela que nos permite fazer escolhas. Podemos dizer que o mundo e tudo nele é a consciência condicionada e objetivada. Portanto, a consciência é a causa e a substância do mundo. Neste caso, é a ela a quem teremos de nos dirigir se quisermos descobrir o segredo da criação.

A fim de que possamos entender e nos apropriarmos do que seja o poder da consciência, é necessário que a entendamos em dois aspectos: a consciência lógica, comparativa, racional dos conceitos que organizam as vidas das pessoas e as coisas de cada época e cultura. Estou me referindo às consciências intelectual, acadêmica e a tantas outras noções das realidades que nos envolvem. O outro aspecto da consciência que é importante citar se refere ao inconsciente que se revela durante o sono através dos sonhos e também através de toda criação artística que, em muitos casos, não têm uma explicação lógica. É a consciência criativa que surge como uma intuição. Sobre essa devemos nos ater para entender seu funcionamento uma vez que ela está ligada a ressignificação da vida.

Estabelecendo os padrões da consciência lógica, vemos que ela possui especificações que são necessárias ao desempenho das atividades gerais de sobrevivência, profissões, controle das sustentabilidades etc. Uma fábula que explica muito bem essas especificidades acontece quando um erudito arrogante precisa atravessar um rio de barco, pondo então a conversar com o barqueiro: Diga-me uma coisa: Você sabe botânica? O barqueiro olhou para o erudito e respondeu: Não muito senhor. Não sei que história é essa... O erudito insistiu: Você não sabe botânica, a ciência que estuda as plantas? Você perdeu parte de sua vida! O barqueiro continua remando. O erudito pergunta novamente. Diga-me uma coisa, você sabe astronomia? O coitado do caiçara barqueiro, analfabeto, balançou a cabeça e disse: Não senhor, não sei o que é astronomia. Respondeu o erudito senhor: Astronomia é a ciência que estuda os astros, o espaço, as estrelas. Que pena! Você perdeu parte da sua vida. E assim foi perguntando a respeito de cada ciência: física, química... e de nada o barqueiro sabia. E o homem erudito sempre terminava com um refrão: Que pena! Você perdeu parte de sua vida... De repente, o barco bateu contra uma pedra, rompeu-se e começou a afundar... O barqueiro perguntou ao erudito: O senhor sabe nadar? Não, não sei. Que pena o senhor perdeu toda a sua vida.

Nesta metáfora de pouco valeu tanta consciência do homem erudito, muito melhor informado que o barqueiro analfabeto que possuía conhecimentos que, naquela oportunidade, salvou sua vida. Essa é a questão da especificidade da consciência lógica.

Quanto ao segundo aspecto da consciência que se refere ao inconsciente, que nos tempos atuais de vertiginosas mudanças muito nos interessa, ela se manifesta pelos sonhos através de uma linguagem simbólica e arcaica, que nada tem a ver com os padrões lógicos. Ao contrário.  Para compreender a linguagem dessa consciência os julgamentos da lógica são inúteis. O significado da consciência interna, podemos chamá-la assim, nada tem de conceitos racionais. Na verdade, ela se manifesta sempre no silêncio da razão. Por esse motivo ela utiliza os sonhos e outros estados alterados de consciência, como, por exemplo, quando a pessoa está sob o efeito anestésico ou em pleno desmaio, sempre ocorrem memórias que não pertencem à lógica.

Quem quiser pesquisar sobre tal tema, veja no youtube o vídeo da neurocientista JILL BOLTE TAYLOR, intitulado meu derrame de percepção, no qual fica claro a diferença entre esses dois aspectos de consciência aos quais me refiro.

O que de fato é importante abordar é que a consciência define tipos de inteligências variadas que nos servem bem em cada momento específico como ficou demonstrado pela metáfora do homem erudito e o barqueiro. Houve um tempo em que a inteligência cognitiva, o famoso QI, quociente de inteligência foi amplamente considerado como uma qualidade importante nas pessoas. Em 1996, foi publicado o trabalho de Daniel Goleman, com o título de “Inteligência Emocional”, em que através de pesquisas bem fundamentadas, ele prova que a capacidade de adaptação e equilíbrio emocional ante a questões conflituosas, eram mais importantes do que a inteligência cognitiva.

Resumindo, segundo Goleman, a inteligência emocional inclui fatores essenciais que são: “ter consciência de si, perceber os vínculos entre pensamentos, sentimentos e reações; saber se pensamentos e sentimentos determinam uma decisão; identificar as consequências de escolhas alternativas; e aplicar essas introvisões às escolhas”.

Durante a década de 1990 e 2000, os neurocientistas fizeram uma importante descoberta: o coração tem seu sistema nervoso independente. Um sistema complexo que chamaram de “cérebro do coração”. Existem pelo menos 40 mil neurônios (células nervosas responsáveis pelo raciocínio) no coração. Tal descoberta, entre outras consequências indicava que o coração tem suas próprias escolhas, e que a razão, em muitas situações não nos ajuda.

A inteligência do coração pode ser apreendida e cultivada. Essa primeira parte do processo de aprendizagem envolve o discernimento da diferença entre mente e coração, bem como a observação da maneira tão distinta pela qual percebemos o mundo que nos cerca quando estamos em contato com a Inteligência do coração. A cabeça – quer dizer o cérebro ou a mente - opera de uma maneira linear, lógica, que nos serve bem em muitas situações, mas nos impõe limitações em outras. Às vezes precisamos de algo além da análise lógica para resolver um problema ou esmiuçar uma complexa questão emocional. A inteligência do coração proporciona um saber intuitivo, direto que constitui uma parte essencial de nossa inteligência global. Ao se ligar à inteligência do coração, nossa consciência se estende para além do pensamento lógico, linear, disso resultando uma perspectiva mais flexível, criativa e abrangente.

Por exemplo, quando dois apaixonados passeiam no parque e vem um aguaceiro, a chuva pouco os incomoda. É tomada simplesmente como... chuva. Eles ficam ensopados e se secam. A chuva pode ser até divertida. Como os amantes estão ligados no coração, é fácil para eles aceitar esse evento espontâneo com espírito jovial.

Se, no entanto, o casal estiver brigando, sentindo-se frustrado, não ligado no coração, a atitude que os dois têm quando começa a chover é completamente distinta. Em vez de um evento como outro qualquer, a chuva, vista a partir da cabeça, é um transtorno, servindo de mais um canal para frustração deles.