BLOG DO OSMAR

Artigo: O equilíbrio das partes é o que garante uma vida plena

O equilíbrio das partes é o que garante uma vida plena

O equilíbrio das partes é o que garante uma vida plena

0

Numa das últimas publicações da obra de C.G. Jung – sobre SENTIMENTOS e a SOMBRA, editora Vozes, 2ª edição, 2014 – Jung questiona sobre o propósito da vida: “Qual é de fato o sentido de nossa existência? Devemos ser todos tigres, tigres amáveis que só se alimentam de maçãs? Tigres vegetarianos – isso é simplesmente uma anormalidade, algo doentio. E assim é o homem que não vive na terra e a ela não paga o seu tributo. Não é algo que fazemos voluntariamente. Ao contrário, é uma exigência sangrenta que – graças a Deus – não é possível contornar. Pericolosamente vivere (viver é perigoso) – a vida é um risco! E caso não seja, então nada aconteceu. Por isso podemos dizer juntamente com Voltaire no leito de morte quando o confessor lhe perguntou: “Regrettez-vous tous vos péchés?” (Você se arrepende de todos os seus pecados?) – Mais oui, mon père, et surtout ceux que n’ai pas commis” (Sim, Padre, e sobretudo daqueles que não cometi). Isso é verdade, enormemente verdade! Esse é o problema.”

Nossa personalidade, que é parte da nossa psique, ou seja o programa que administra todos os nossos recursos, fazendo as escolhas em nossa vida, de acordo com a consciência que é o padrão de avaliação, sempre espera que tudo dê sempre certo e a felicidade e o sucesso seja sempre uma consequência natural que devemos alcançar na vida. Entretanto, felicidade e sucesso são bens flexíveis que representam valores diferentes para cada pessoa. Discutir felicidade significa refletir sobre o que é importante na vida. Significa ponderar os méritos de diferentes caminhos. Nesse ponto vale lembrar Nietzsche em “Assim falou Zaratustra”, em duas partes do texto onde ele diz que há muitos caminhos e não devemos esperar que nos seja dado, pois aquele que não tem caminho, qualquer caminho serve. Na outra parte ele diz que aquilo que não nos mata, nos fortalece. Na primeira parte citada fica clara a necessidade de buscarmos nosso próprio caminho através da “viagem interior”, somente possível durante o silêncio da mente que permite ouvir a voz do coração. Enquanto que na segunda parte Nietzsche, assim como no trecho de Jung, deixa claro que é uma grande ilusão buscar um estado de graça constante, algo como o paraíso, pois o movimento, a mudança é a única realidade, segundo Heráclito, pois por mais que pensemos não conseguimos sair dessa verdade. A consequência de resistirmos às mudanças é perdermos a oportunidade da escolha, uma vez que não aceitamos mudar, nos submetemos ao que não escolhemos.

Leia mais: Inteligência do coração - novo patamar do desenvolvimento humano

Como podemos observar tudo que existe é ambivalente, isto é, possui dois lados, pois um dos lados dá identidade ao outro. Em assim sendo a plenitude está no equilíbrio e este é uma atividade do coração, da mente que julga e compara. A personalidade acredita que há um grande poder em comparar e classificar, mas na verdade isso promove uma grande confusão, uma vez que tende a buscar por uma perfeição impossível de se alcançar. Os opostos pitagóricos representam um marco do desenvolvimento da consciência no ocidente, eram dez pares iniciais: limitado/ilimitado, par/impar, um/muitos, direita/esquerda, macho/fêmea, repouso/movimento, reto/curvo, claro/escuro, bom/mau, quadrado/oblongo. Edward F. Edinger, em seu livro “O Mistério da Coniunctio “ compara a anatomia e o fluxo da libido – energia de vida que possibilita todas as atividades – a um circuito elétrico que gera energia pela polarização dos opostos, polos positivo e negativo, nesse caso, em nossas vidas sempre que somos atraídos em direção a um objeto desejado, ou reagimos contra um objeto odiado. Somos “capturados” pelo drama dos opostos, razão pela qual eu disse no texto anterior – A inteligência do Coração – que a vida não é uma luta, conforme muitos de nós acredita.

Até aqui podemos refletir que qualquer ideologia, seja ela de que natureza for, sempre nos divide e nos joga num conflito sem solução. Dessa forma, podemos garantir que a relação entre abusador e abusado, que constitui grande parte das questões jurídicas, não encontram uma solução de justiças para ambas as partes beligerantes. Essa é uma questão muito importante que, quando entendida, nos liberta das disputas. Quero voltar especificamente a essa questão num próximo texto, em virtude de sua importância e por representar uma ajuda para desenvolvermos a inteligência do coração.

A psicanalista junguiana alemã Brigitte Dorst pesquisou em toda a obra de C.G.Jung referências à espiritualidade e transcendência, publicando o livro com este nome pela Editora Vozes em 2015. Antes de tudo é preciso não esquecer que a ciência analisa os fatos como fenômeno, com um único objetivo de compreender suas origens e funcionamento, suas razões de existir, pouco importando conceitos de origem idealista, o que contaminaria a compreensão dos fenômenos. Não podemos deixar de concluir que há cerca de vinte anos a ciência se ocupa profundamente em entender os mistérios da mente humana, seu funcionamento além das barreiras impostas por comprovações científicas na formulação das teorias. Esse conhecimento que eu considero muito poderoso na ressignificação da vida, por outro lado, só pode ser alcançado com a experiência própria individual sobre o inconsciente, uma vez que cada pessoa é um sistema extremamente complexo. A Obra, como disse Jung, se compõem de três partes: O conhecimento, a persistência e a ação. Na primeira parte, o conhecimento, é necessário consigamos compreender o que lemos, perceber o que quis dizer quem o escreveu. Após essa etapa, se não tivermos a disciplina de persistir e praticar, toda informação será inócua, não produzindo qualquer mudança.

Segundo Jung: “A questão decisiva para o homem é: ele está conectado a algo infinito ou não? Essa é a questão notável da sua vida. Apenas se soubermos que o que realmente importa é o infinito, é que poderemos evitar de fixar o nosso interesse sobre futilidades e sobre todos os tipos de objetivos que não possuem importância real...Se nós entendermos que aqui nessa vida, já temos uma conexão com o infinito, desejos e atitudes mudam.” A grande dificuldade é


... CONTINUE LENDO
Autor: Osmar Santos
Fonte: Osmar Santos
COMPARTILHAR

VOCÊ TAMBÉM PODE GOSTAR!

BLOG DO OSMAR

Últimas Postagens

ARTIGOS DO BLOG

Destaques

Confira nossos artigos em destaques

DR. OSMAR
DR. OSMAR FRANCISCO DOS SANTOS

SOBRE O DR. OSMAR

Psicólogo junguiano transpessoal, fundador do Instituto Holístico do Saber, membro participante do Núcleo de Estudos Junguiano do Rio de Janeiro, experiente conhecedor da psique humana através da sua ampla atuação em psicologia clínica, individual, em grupos de formação e em grupos terapêuticos.

SAIBA MAIS
DR OSMAR

Fale com o Dr. Osmar!

Envie suas dúvidas através de nosso site.